Até o dia 3, foram 15.241 casos da doença no estado. Saúde anuncia intensificação do fumacê
Goiás enfrentou recorde de casos de dengue da história em janeiro. O número de notificações no primeiro mês deste ano cresceu 502%, em comparação com o mesmo período do ano passado. As notificações passaram de 2.530 para 15.241. Em janeiro de 2008, ano em que o Estado enfrentou a pior epidemia de dengue, com 46.269 casos, foram 2.961 notificações. Só na última semana de janeiro de 2010, o aumento foi de 66%. A gravidade da situação levou a Secretaria Estadual de Saúde (SES) a anunciar, ontem, medidas mais contundentes contra o avanço da doença.
Até a terceira semana epidemiológica de 2010, fechada no dia 23 de janeiro, os casos somavam 9.141. O número de mortes por dengue também cresceu. Em janeiro do ano passado, aconteceu um óbito, número que cresceu para cinco este ano, dos quais um por dengue hemorrágica, outro por complicações da doença e três confirmados aguardando classificação.
A situação, definida pelas autoridades como preocupante, levou o comitê de controle da doença no Estado a anunciar a intensificação, a partir da próxima segunda-feira, de medidas para eliminação do mosquito Aedes aegypti, principalmente em relação à aplicação de inseticida de ultra baixo volume (UVB), o conhecido fumacê. “Esse é um recurso usado para controle vetorial (do vetor, no caso, o mosquito) em caso de epidemia”, explica a diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Flúvia Amorim.
Antes, os agentes estavam intensificando medidas de prevenção, com a visitação de todas as casas dos bairros com o maior número de casos notificados. A cada semana, eram definidos os dez bairros com situação mais preocupante e eles recebiam visitas mais sistemáticas dos outros agentes. A estratégia, apesar de considerada válida, mostrou-se insuficiente.
A meta, agora, é atingir todos os bairros de Goiânia com o ciclo de quatro aplicações intercaladas a cada três dias do veneno, em 18 dias. Para isso, está sendo feita a contratação emergencial de cem novos agentes, antes vinculados à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o número de veículos para fumacê foi aumentado com repasses do Ministério da Saúde. Ao todo, Goiânia contará com 620 agentes na força-tarefa que terá início na segunda-feira e se estenderá aos domingos e feriados. Em vez de duas horas de aplicação de manhã e duas à tarde, serão quatro horas em cada período.
A intensificação do uso do fumacê – que tem eficácia de 40% no combate ao mosquito adulto – deverá ocorrer em todo o Estado, com atenção especial para as regiões que apresentam o maior número de casos. “Sabemos que a Região Metropolitana de Goiânia concentra 77% dos casos, por isso estamos intensificando a aplicação de inseticidas, tanto de UVB pesado como com bombas costais”, anunciou a secretária estadual da Saúde, Irani Ribeiro, depois da reunião do comitê de combate à dengue no Estado, junto com representantes do Ministério da Saúde. Em todo o Estado são 3,2 mil agentes.
Goiânia é o município com mais casos
Goiânia é o município com o maior número de casos de dengue em Goiás: 6.542 de 1º a 30 de janeiro deste ano. Aparecida de Goiânia aparece em segundo lugar, com 1.980, e o terceiro é Goianira, também na Região Metropolitana, com 494 casos. As duas cidades que têm o maior número absoluto de casos, no entanto, não aparecem no ranking das dez com os maiores coeficientes de incidêndia da doença, calculados de acordo com a proporção entre os casos e a população do município. A maior incidência proporcional é em São Miguel do Passa Quatro, seguido de Barro Alto, Campos Belos, Goianira e Serranópolis.
O número de municípios goianos classificados com coeficiente de alto risco de incidência de dengue passou de 18, na terceira semana epidemiológica, para 38 na quarta, cujo balanço foi divulgado ontem. Os municípios com incidência de médio risco também cresceram, de 47 para 96. Os que tinham baixa incidência caíram de 78 para 73. O número total de municípios com notificação de dengue caiu de 246 (número total de municípios do Estado) para 158.
Unidades ganham tendas
Cinco unidades de saúde da Prefeitura de Goiânia já adotaram o uso de tendas instaladas em sua área externa para atender os doentes com dengue. A demanda cresce a cada dia nos postos municipais e, mesmo com a destinação de mais médicos para atender nesses locais, há filas e demora no atendimento. “A situação é preocupante. A cada semana temos aumentos expressivos no número de casos”, diz a diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Flúvia Amorim.
Os diretores das unidades de saúde também estão sendo orientados a oferecer a todos os pacientes com suspeita de dengue soro para reidratação oral. A ideia é de que os galões com a mistura preparada fiquem no local do primeiro atendimento dos postos, bem à vista dos pacientes, e de que seja oferecida a intervalos regulares.
A orientação da secretária estadual de Saúde, Irani Ribeiro, é para que os demais municípios adotem estratégias semelhantes às de Goiânia e Aparecida de Goiânia, especialmente quanto às tendas para ampliar o atendimento e ao uso de cadeiras para hidratação intravenosa de pacientes.
Trabalho da força-tarefa
Na edição do dia 19 do mês passado, O POPULAR mostrou as medidas anunciadas pelas autoridades de saúde para conter o avanço da dengue que, à época, já havia aumentado 311% em relação às duas primeiras semanas de janeiro de 2009. A Prefeitura de Goiânia lançou uma força-tarefa para, em uma semana, visitar 65 mil imóveis (todas as casas) nos 10 bairros com maior notificação de casos da dengue em Goiânia. O primeiro do ranking era o Jardim América, o maior da capital.
O trabalho foi feito naquela semana e se manteve. Na verdade, ele deve continuar, mas agora a Saúde anunciou medidas mais agressivas, com intensificação de ações.
Fonte: Jornal O Popular (05/02/2010 - jorn. Carla Borges)