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Denúncia feita pelo Sindsaúde/GO no dia 7 de julho rende reportagem no Jornal O Popular. Confira:
No elevador do Hospital Geral de Goiânia (HGG) sobe e desce de tudo: pacientes, roupas sujas, visitantes, comida e até pessoas mortas. Com apenas um equipamento funcionando para atender quatro andares e o subsolo do prédio localizado no Setor Oeste, em Goiânia, a sobrecarga provoca filas e leva perigo à saúde dos usuários.
O edifício possui quatro elevadores, dois na ala onde os pacientes ficam internados e outros dois no espaço destinado a receber pessoas em situação de emergência. Somente um dos equipamentos que levam usuários e funcionários aos quartos e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) responde às chamadas de quem aperta o interruptor.
Quando os portões foram abertos para visitas ontem, às 16 horas, cerca de 70 pessoas entraram no edifício e tentaram usar o equipamento. A solução para quem perdeu a paciência de esperar foi subir pelas rampas de acesso aos pisos superiores. Até mesmo uma funcionária ficou irritada: "Está assim há mais de um mês", disse.
Um dos guardas que faz a segurança do local orientava os visitantes a seguir pela rota alternativa. Enquanto desviava as pessoas para que pegassem o caminho da rampa, ele contou que os corpos de pessoas mortas descem pelo elevador até o subsolo, onde está o necrotério. Outro funcionário, que preferiu não se identificar, disse que usa o equipamento diariamente. O homem sustenta que divide espaço com cargas de alimentos, lixo hospitalar e pacientes doentes ou falecidos.
No corredor do terceiro andar, David Lima de Freitas, de 52 anos, assistia televisão sentado em uma cadeira disposta quase em frente à porta do elevador. O vendedor tomava soro, como parte do tratamento de uma complicação da Hepatite C, doença que sofre. Ele afirmou ter visto transporte de comida, lixo e pacientes em macas no mesmo ambiente, mas não simultaneamente.
Enquanto David conversava com a reportagem, um médico saiu do elevador para abrir a porta às funcionárias do hospital que carregavam um baú de metal carregado de roupas brancas. "O doutor anda no elevador de jaleco e depois vem atender a gente", comentou o vendedor.
O equipamento tem cerca de quatro metros quadrados. Nele, cabe uma maca, e pelo menos mais três pessoas. Foi esta situação que viveu o irmão de um paciente de Faina que está internado no local, com problemas pulmonares. Há seis dias frequentando o lugar, ele afirma ter subido com um paciente deitado e dois enfermeiros. Também garante ter visualizado transporte de comida e lixo.
Alternativa Numa situação emergencial, a saída seria estabelecer uma rotina de uso para o elevador do HGG, afirma o infectologista André Kipnis, pesquisador do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (Iptesp) da Universidade Federal de Goiás. Para encarar a realidade atual, o professor defende que o uso seja separado por horários para atender a demanda.
"Acredito que a vigilância sanitária não permitiria este tipo de uso. Está longe do procedimento considerado ideal. Mas numa situação crítica, o que resta fazer é um revezamento na utilização e desinfetar o lugar nos intervalos", argumenta o pesquisador. Kipnis explica que microrganismos como bactérias, germes e vírus podem se espalhar e causar doenças aos usuários do equipamento.
O conserto dos três elevadores estragados no Hospital Geral de Goiânia (HGG) depende de peças importadas, conforme explicou a Secretaria Estadual de Saúde (SES), por meio de nota enviada ao POPULAR. De acordo com a SES, o processo de contrato de manutenção e reposição das peças dos elevadores está em andamento, em fase final de tramitação, na Procuradoria Geral do Estado (PGE).
A direção do HGG informou, por sua vez, que, para casos em que é imprescindível o uso de elevador, existe um disponível, e que ele tem atendido a demanda.
Fonte: Jornal O Popular (jorn. Alfredo Mergulhão - 16/07/10)
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