Atividade econômica e emprego



Sabe-se que a geração de emprego é derivada, essencialmente, do crescimento econômico. Do ponto de vista da teoria econômica, keynes e kalecki, consideram que o nível de emprego é determinado pela demanda efetiva, ou seja, por gastos decorrentes do consumo e investimentos, e portanto, atribui a natureza macroeconômica às questões do mercado de trabalho. Esses pensadores revelam que a demanda agregada da economia, ou o gasto total com a aquisição de bens e serviços, proporciona o crescimento econômico, que, consequentemente, estabelece o nível de emprego.

As experiências de diversos governos, no país, nos últimos 20 anos, confirmaram a interpretação desses autores. O crescimento médio anual do PIB brasileiro, relacionado ao numero de empregos gerados, de 2,4%, no período de 1995 a 2002, levou a criação de 5.016.672 empregos, de 2003 a 2010, o índice médio de 4,1% ao ano, possibilitou a abertura de 15.384.442 postos de trabalho, e de 2011 a 2014, com 2,1%, verificou-se o acréscimo de 5.503.155 vagas formais;
A situação do mercado de trabalho no Brasil, em 2015, da mesma forma, reflete as medidas de ajustes das contas públicas, adotadas pelo governo federal, que agravaram o já preocupante cenário econômico de desaquecimento da economia nacional, observado mais nitidamente no ano anterior.

Depois de um resultado inexpressivo do PIB - Produto Interno Bruto - nacional, em 2014 (0,1%), em relação a 2013, que apontou estagnação, os indicadores nacionais do PIB de 2015 apontaram um quadro econômico recessivo. No 1º trimestre o PIB brasileiro registrou contração de 1,6% e de 2,6% no segundo trimestre, em relação a igual período de 2014. No 1º semestre de 2015, o recuo do PIB atingiu 2,1%, na mesma base de comparação. Nesse período, o desempenho positivo da Agropecuária (3,0%) inibiu uma retração mais acentuada, enquanto a Indústria (-4,1%) e os Serviços (-1,3%) pesaram para essa variação negativa.

Nesse quadro desalentador o último levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) mostrou o impacto da atual situação econômica sobre o emprego formal. Houve retração no número de postos de trabalho gerados no país, tanto em agosto de 2015 (-86.543), quanto nos 8 primeiros meses do ano (-572.792) e nos últimos 12 meses (- 985.669). Em Goiás, o saldo de vagas registrou decréscimo em agosto (-859) e nos últimos 12 meses (-14.183). O saldo no ano até agosto (21.418), apesar de positivo, devido ao período favorável ao agronegócio, foi o menor da série desde 1.999.

O decréscimo de postos de trabalho por setores de atividade no país mostra a intensidade e a dimensão desses impactos no mercado de trabalho. Em agosto deste ano, o Serviços (4.965) e a Administração Pública (730) registraram resultado positivo e a retração do emprego nos demais setores levou ao encolhimento do saldo mensal. No ano até agosto, o saldo negativo foi decorrente do expressivo recuo de vagas verificada na Indústria da transformação, no Comércio, Construção civil, Extrativa mineral e Serviços. De setembro/2014 até agosto/2015, a redução de vagas ampliou-se para todos os principais setores de atividades. Em Goiás, o Comércio e a Construção Civil determinaram o saldo negativo no mês.

No ano até agosto, devido às especificidades da economia goiana, a Agropecuária, o setor de Serviços e a Indústria da transformação, somaram positivamente para a geração de vínculos, no estado. Nos últimos 12 meses, o significativo decréscimo de vagas na Construção civil e na Indústria da transformação influenciou para eliminação de 14.183 empregos formais. Percebe-se que nos primeiros meses do ano os mais afetados foram: construção civil e a indústria de transformação. Posteriormente, ocorreu a contração de vagas na maioria dos setores de atividade no país, enquanto, em Goiás, situou- se em alguns segmentos.

Mesmo com o quadro desfavorável, alguns indicadores nacionais evidenciaram certa resistência do mercado de trabalho. Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) apresentaram o estoque de empregos formais, no país, de 49.571.510, em dezembro de 2014. A taxa de desemprego medida pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), levantada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas Regiões Metropolitanas, que antes teve uma trajetória declinante, de 11,7% em agosto de 2002 para 5,0%, em agosto de 2014, subiu 2,6 p.p., para 7,6%, em agosto de 2015, índice inferior aos verificados nos meses de agosto, de 2002 a 2007. O nível de ocupação que exprime a proporção do numero de ocupados em relação a PIA – População em Idade Ativa – ainda mantém-se muito próximo ao observado em agosto de 2014 (53,3%) comparado a agosto de 2015 (51,8%).

No cenário atual, continua preocupante a impossibilidade de se reverter o processo recessivo no curto prazo. As adicionais medidas de ajustes adotadas pelo governo federal, em setembro, deverão agravar o fraco desempenho da atividade econômica e com isso poderá continuar inibindo a geração de empregos formais. Somam-se, o ambiente político ainda conturbado e as pressões políticas em curso que impedem a implementação de uma política econômica para retomada do crescimento e a geração e manutenção do emprego e renda no país.

19/10/2015

Artigo de opinião escrito por Leila Brito - Economista e supervisora técnica do DIEESE Goiás