Governador transfere agenda que teria com o Sindsaúde para secretário da Segplan



Pretendendo cobrar uma posição do Governo de Goiás sobre os inúmeros prejuízos acumulados pela retirada de direitos dos servidor@s da Saúde, o Sindsaúde se reuniu ontem (03), com o secretário da Segplan, Joaquim Mesquita. A reunião que seria com o governador Marconi Perillo foi repassada para o secretário.

O objetivo principal da reunião – solicitada pelo Sindsaúde via ofício – foi manter o diálogo com o Governo e, principalmente, relatar os prejuízos que os servidor@s da Saúde acumulam por conta das decisões do governador que flexibilizou direitos dos trabalhador@s.

Durante a reunião, a presidenta do Sindsaúde, Flaviana Alves, fez um longo e contundente relato histórico, pontuando cada direito que foi retirado, suprimido ou descumprido pelo Governo de Goiás. “A impressão que temos é que estamos sendo massacrados pela perseguição de vocês. Somados o calote de seis anos da data-base com a redução da insalubridade, periculosidade e produtividade, os servidor@s estão acumulando uma perda salarial mensal que ultrapassa 80%. Não podemos continuar nessa situação”, desabafou Flaviana.

A diretora de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Sindsaúde, Maria de Fátima Veloso, foi além, e classificou as atitudes do governador como desumano. Ela fez questão de ressaltar ainda que “as práticas do governo beiram a tirania, já que estão passando por cima das leis trabalhistas e retirando salário do bolso do trabalhador”.

Conhecido por ser o braço de ferro do governador, Joaquim Mesquita não se comoveu com o forte relato das dirigentes do Sindsaúde. E limitou em dizer que, atualmente, o Governo está cumprindo além do que a Constituição determina. “Não temos condições de investir mais em Saúde. Hoje, mais de 13% do orçamento do Estado está sendo investido em saúde. Não temos margem nem no orçamento e nem na Lei de Responsabilidade Fiscal para dar concessões para a Saúde”.

Confrontado sobre os vários benefícios destinados as outras categorias, Mesquita disse que, neste caso específico, os secretários tinham apresentado um estudo mostrando que o Governo tinha margem no orçamento para atender, por exemplo, as solicitações da educação e outras pastas.

Foi neste momento que a presidenta do Sindsaúde subiu o tom. Ela disse que, apesar do Governo ser obrigado a investir 12% do orçamento em Saúde, o governador destina esses recursos, praticamente na sua totalidade, para as Organizações Sociais. “As OSs cada dia ganham mais dinheiro. Se o Governo utilizar essa lógica, não vai sobrar nunca dinheiro para pagar os direitos dos trabalhador@s”, contrapôs Flaviana.

Como método de reparar esses prejuízos, Flaviana sugeriu ao secretário a mesma política de valorização implementadas para outras categorias, como a criação de um vale alimentação para Saúde e de regras mais específicas do orçamento para o cumprimento dos direitos dos trabalhador@s.

O secretário de Gestão e Planejamento disse que todas essas questões, necessariamente, precisam ser discutidas e defendidas, prioritariamente, pelo secretário que comanda a pasta. Segundo ele, só assim, o Governo poderia dar andamento nas discussões e viabilização dessas sugestões.

04/07/2017