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.....Goiânia, .
 
 
24 de fevereiro de 2010 - 13h 47 min
  DESPREPARO E ABUSO DE AUTORIDADE: Enquanto aguardavam audiência marcada com vice-governador, servidores públicos são agredidos por policiais dentro do Palácio Pedro Ludovico Teixeira
   
 
Servidores do Sindsaúde/GO e de várias entidades que integram o Fórum Goiano em Defesa do Servidor e do Serviço Público foram tratados com violência por parte de policiais militares enquanto aguardavam, no 9º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, audiência com o vice-governador Ademir Menezes – que estava na condição de governador interino. Os servidores cumpriam agenda já pré-marcada, quando policiais agiram com violência, agredindo dois assessores de comunicação do deputado Estadual Mauro Rubem (um jornalista e um cinegrafista), que estavam fazendo cobertura da atividade à serviço das entidades.

A confusão se iniciou quando um dos policiais quis, com violência, tirar o cinegrafista da sala de espera – atitude que gerou profunda indignação nos representantes sindicais, já que a entrada e o uso do equipamento já havia sido autorizado pelo serviço de segurança do Palácio. “Os policiais empurraram os dois para dentro do elevador com gritos e ameaças. Instintivamente nós entramos junto, para impedir qualquer tipo maior de violência contra os rapazes, que estavam apenas trabalhando”, disse a presidenta do Sindsaúde/GO, Maria de Fátima Veloso Cunha.

Ao chegar ao térreo do Palácio, alguns trabalhadores foram colocados para fora das catracas. Quando o jornalista – que ainda estava na parte interna (dos elevadores) pegou o celular para solicitar ajuda do deputado estadual Mauro Rubem – que ainda não estava no local – ele foi agredido, e teve seu celular jogado no chão. O cinegrafista, ao tentar levantar a câmera para documentar a agressão, recebeu um tapa no ouvido esquerdo, quando os policiais perceberam que estavam sendo filmados. “O tapa foi tão forte que o policial que me agrediu cortou a mão no equipamento. Meu jaleco ficou manchado de sangue nas costas”, relatou o cinegrafista.

Pouco antes da chegada do deputado Mauro Rubem, a presidenta do Sindsaúde/GO, Fátima Veloso, e as presidentas do Sintego, Ieda Leal, e da CUT-GO, Bia de Lima, ficaram revoltadas. “Vocês não podem fazer isso com a gente, somos servidores públicos igual vocês. Estávamos apenas esperando uma reunião agendada com o vice-governador”, disseram. 

Informado do que estava acontecendo, o deputado Mauro Rubem chegou transtornado. “Nós vamos levar isso ao Ministério Público, ao Secretário de Segurança Pública e ao vice-governador, agora. Vocês não tem o direito de agir assim, nem nas periferias, nem aqui, na sede do Poder Executivo. Aqui é a casa do povo, que é quem banca o salário de vocês. Vocês não são pagos para bater em gente inocente não, são pagos para cumprir a lei”, disse o deputado ao comandante dos policiais.
 
 
 
“Fatos serão apurados”
Diante do ocorrido, os líderes sindicais – acompanhados do deputado – subiram ao sétimo andar, exigindo falar com o governador em exercício, Admir Menezes.  No gabinete do representante estadual, os sindicalistas cobraram respeito, apuração das agressões e punição aos policiais agressores. “O governador não nos atende desde que assumiu o governo, em 31 de março de 2006, nunca responde nossos ofícios, não cumpre a lei do Piso, nem da Data-base, desrespeita os Planos de Carreira, e, além disso, coloca policiais, despreparados, para nos agredir”, disse Iêda Leal.

Como muitas promessas foram feitas pelo governador Alcides Rodrigues, os representantes do Fórum exigiram que a Audiência seja marcada com a presença dele. “Já estamos organizando Assembléias com todas as categorias de trabalhadores estaduais, se até o dia 20 deste mês não obtivermos resposta do governo de Goiás, todos os trabalhadores vão parar”, adiantou a presidenta do Sindsaúde, Fátima Veloso.

Na ocasião, os trabalhadores repassaram ao governador em exercício os principais pontos de reivindicação do Fórum, referentes à Gestão do Ipasgo – os trabalhadores querem que Alcides cumpra uma promessa feita na sua campanha de que o Ipasgo seria gerido pelos próprios servidores;  o cumprimento da Data-base – há cinco anos os trabalhadores não têm a reposição salarial garantida por lei -, e o respeito aos Planos de Carreira – os trabalhadores pedem que as categorias tenham seus planos revistos e respeitados.

Ademir Menezes garantiu que assim que o governador Alcides Rodrigues retornar de viagem fará a intermediação para que o Fórum tenha uma Audiência com o ele. Ele também lamentou o incidente da entrada e disse que tomará providências para “apurar os fatos”.

Retratação
Após a reunião com Ademir Menezes, os servidores, juntamente com os trabalhadores agredidos, foram ao 1º Departamento da Polícia Civil prestar queixa contra a atitude dos policiais.  O cinegrafista passou por exame médico, no qual foi identificado perda auditiva. 

Além do Boletim de Ocorrência, as entidades devem assinar uma moção de repúdio que será enviada ao Secretário de Segurança Pública, Ernesto Roller, e – em parceria com o deputado Mauro Rubem – a realização de uma Audiência Pública, também com o Secretário, pedindo que o agressor formalize um pedido de desculpas aos envolvidos no caso.

   
   
   
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