Crise no Hugo gera riscos para pacientes

Crise no Hugo gera riscos para pacientes

Além dos atrasos no salário, o déficit de profissionais no Hospital de Urgência de Goiânia (Hugo) que foi terceirizado e atualmente é administrado pelo Instituto Gerir tem sido mais uma realidade que afeta servidor@s e pacientes e preocupa o Sindsaúde.

Durante assembleia realizada na noite da última quinta-feira (18) na porta do Hugo, servidor@s relataram a precariedade das condições de trabalho na unidade. Segundo eles, para atender a demanda do hospital, técnicos de enfermagem estariam sendo orientados a assumir rotineiramente atribuições que são dos enfermeiros.

Técnicos de enfermagem fazem aspiração endotraqueal, avaliação de pacientes e transporte de internos graves [para outros setores da unidade]”, relatou um servid@r que pediu para não ser identificado. Segundo ele, as orientações vêm da própria direção.

Dimensionamento

Os trabalhador@s também cobram atuação mais enérgica do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) no redimensionamento. Ainda segundo as denúncias, o número de pacientes para cada técnico estaria superando frequentemente até três vezes o ideal. Em algumas áreas a quantidade ideal para cada servid@r é de seis pacientes.

O diretor do Sindsaúde, Erivânio Silva, que também é técnico de enfermagem, orienta os servidor@s –  com base no Código de Ética da Enfermagem – a fazer a recusa de atividades que estejam em inconformidade com sua capacitação. “O técnico, o auxiliar e o enfermeiro só podem exercer funções da sua competência. Eles têm o direito e o dever de recusar uma assistência para qual não estejam aptos”, alerta.

Diante da falta de profissionais, um trabalhad@r confirmou que “o paciente fica prejudicado”. Ele explica que o interno “não tem a assistência devida que ele merece. Não por parte do trabalhad@r, mas porque a empresa e a coordenação não nos dão amparo”.

Também há indícios de “maquiagem” da qualidade do atendimento do hospital. O mesmo relata que “quando vai ter fiscalização da ONA [Organização Nacional de Acreditação], eles [OS] dão folga em outros dias para os funcionários que não estão de plantão”. O objetivo seria convocar os servidor@s parar “aumentar o número de funcionários para maquiar” o dimensionamento.

Insumos

Medicamentos e insumos hospitalares continuam em falta. A escassez de seringas e medicamentos como Ranitidina, medicações antieméticas, Bromoprida, Nausedron prejudicam o atendimento aos pacientes. . A sobrecarga de trabalho e a falta de insumos e medicamentos podem trazer riscos para os pacientes.

A falta de alguns tipos de antibióticos também preocupa. “Os antibióticos são medicamentos que exigem uma administração rigorosa com início, meio e fim. Se esse ciclo for interrompido, o paciente tem que reiniciar todo o tratamento ocupando mais tempo de internação”, esclareceu Erivânio.

Hora extra

Outra preocupação do Sindsaúde é quanto o cumprimento das leis trabalhistas. Durante a assembleia, os trabalhador@s relataram também que além dos constantes cortes indevidos do ponto, eles são orientados a registrar e retornar ao trabalho para concluir o atendimento. Porém, segundo eles, não há compensação desse período com folga ou horas extras.

Ações

Para o diretor do Sindsaúde, é preciso fortalecer o coletivo da enfermagem. “A mesma denúncia que for feita ao Coren deve ser encaminhada ao Sindicato. Muitas vezes, quando o fiscal chega, o trabalhad@r se sente fragilizado em sustentar a denunciar. Por isso, é importante sempre comunicar o Sindicato com antecedência. Eu acredito que é através desse coletivo que cada trabalhador se fortalece e assegura seus direitos”, reitera.

O Sindsaúde já encaminhou diversas denúncias ao Ministério Público sobre a precariedade das condições de trabalho. Desde o dia 11, o Hugo está proibido pelo Ministério Público do Trabalho de receber novos pacientes até que o abastecimento de insumos e medicamentos seja regularizado. Em 2017, o hospital já tinha sido multado pelo Ministério do Trabalho por sobrecarga e atraso de pagamento. A Justiça acabou suspendendo a cobrança da multa.

Paralisação

Uma nova ação civil pública já foi protocolada no Ministério Público para tentar garantir o pagamento de salário dos servidor@s. Na tarde desta sexta-feira (19), a presidenta do Sindsaúde, Flaviana Alves, encaminhou ofício comunicando a organização social sobre a paralisação dos trabalhador@s marcada para a próxima terça-feira (23), caso os pagamentos atrasados desde o dia 5 deste mês não sejam regularizados.

 

 

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