Nota do Comitê Goiano em Defesa dos Trabalhadores e Enfrentamento à Pandemia sobre o isolamento social e o uso da cloroquina

Nota do Comitê Goiano em Defesa dos Trabalhadores e Enfrentamento à Pandemia sobre o isolamento social e o uso da cloroquina

*Publicada em 22.05.2020 às 10h30

Diante das recentes polêmicas que envolvem a adoção do isolamento social como medida de prevenção ao coronavírus e o uso da Cloroquina como tratamento para à COVID-19, o Comitê Goiano em Defesa dos Trabalhadores e Enfrentamento à Pandemia de COVID-19 se manifestou por nota. O Comitê se posicionou favorável à estratégia de isolamento horizontal e a preocupação quanto ao uso da Cloroquina. A nota é assinada por diversas entidades, entre elas o Sindsaúde-GO, Sieg, CNTSS. Confira a nota na íntegra:  

O Comitê Goiano em Defesa dos Trabalhadores e Enfrentamento à Pandemia de COVID-19 torna público que seu posicionamento favorável ao distanciamento social se baseia em experiências vividas por outros países que fizeram o enfrentamento da pandemia anteriormente ao Brasil e que tiveram que lidar com o colapso dos seus sistemas de saúde e no conhecimento de especialistas da área que se pronunciaram publicamente sobre o tema, como é o caso da Sociedade Brasileira de Imunologia  que orienta: “até que tenhamos vacinas efetivas e melhores possibilidades terapêuticas comprovadas para o tratamento dessa doença, o isolamento social para conter a disseminação do SARS-CoV-2 ainda é a melhor alternativa nesse momento.”

Segundo dados colhidos em vários países do mundo, o isolamento social é a única medida efetiva para desacelerar as curvas de crescimento dessa infecção. Corroborando essa informação, outros especialistas, como o infectologista, Dr. João Alves, em entrevista concedida ao Jornal Opção, em 29 de março deste ano, afirma que “o que tem dado melhores resultados no mundo é tratar os doentes em isolamento e fechar temporariamente locais públicos como shows, teatros, cultos, cinemas”.

Por outro lado, ressaltamos que discutir isolamento social sem outras medidas que deem suporte à população e ao setor produtivo não possui racionalidade para o enfrentamento de situação tão crítica, quanto complexa. É preciso, além do isolamento, garantir medidas protetivas aos trabalhadores, setor produtivo e fomentar a ciência e o desenvolvimento tecnológico.

O grande propósito do Comitê é proteger os trabalhadores da Saúde e salvar as vidas daqueles que são cuidados por esses trabalhadores: os usuários dos serviços de saúde. No entanto, deve considerar-se que cabe ao Estado definir políticas públicas e protocolos, baseado em evidências científicas ou em experiências exitosas, que sejam garantidoras da vida de todas as pessoas, tanto das mais vulneráveis, quanto daquelas com piores prognósticos.

Assim, não há que se discutir isoladamente o distanciamento ou isolamento social como algo definidor do sucesso ou insucesso do enfrentamento desta pandemia, mas também não se pode negligenciar a importância dessa medida protetora. Deve-se ainda evitar a polarização do tema como sendo uma questão meramente política, mas sim de saúde pública e, como tal, é responsabilidade do poder público orientar e definir ações. Portanto, cabe ao poder público no Estado de Goiás definir e orientar protocolos e ações protetivas, considerando as melhores evidências de países com maior expertise e melhores resultados nesse assunto.

Este Comitê também torna pública sua posição acerca do uso de Cloroquina ou de seu análogo farmacológico, hidroxicloroquina, no tratamento da COVID-19. A indicação terapêutica desses fármacos para algumas doenças, como Malária, Lúpus Eritematoso Sistêmico e Artrite Reumatoide é bem definida e tem eficácia testada e comprovada. Entretanto, para tratamento da COVID-19, ambos precisam ter contínuo monitoramento médico, considerando os efeitos adversos como retinopatias, hipoglicemia grave, prolongamento QT (que se relaciona com alteração da frequência cardíaca) e toxidade cardíaca.

A utilização da Cloroquina e seu análogo no tratamento da infecção pelo COVID – 19 carece de evidências científicas sólidas, com estudos clínicos que assegurem eficácia e segurança na sua utilização, tornando sua indicação e utilização apenas um instrumento de politicagem, sem nenhuma comprovação de eficácia ou mesmo responsabilidade sanitária.

Desta forma, entendemos necessário aguardar as pesquisas científicas em curso, incluindo o estudo coordenado pela OMS, até que se tenha um posicionamento definitivo.

Por fim, o Comitê de Defesa dos Trabalhadores e Enfrentamento à Pandemia da COVID -19 se solidariza com as famílias que perderam seus entes queridos, tendo a certeza que a comunidade científica do Brasil e internacional conseguirá desenvolver em um futuro próximo medicamentos comprovadamente eficazes para o tratamento e vacinas para imunização à COVID -19.

Assinam esta nota:

SINDSAÚDE-GO – Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO)

SIEG – Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Goiás

SIMEGO – Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás

SINDACS – Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde 

SINFARGO – Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de Goiás

SOEGO – Sindicato dos Odontologista no Estado de Goiás

SINTSEP-GO – Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de Goias

SINTASB – Sindicato Das (os) Técnicas (os) e Auxiliares em SaÚde Bucal do Estado de Goias

FCRAS – Fórum dos Conselhos Regionais da Área da Saúde

CNTSS – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social. Endereço

FENASCE – Federação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias

 

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