Único centro de referência em práticas integrativas de Goiás sofre com descaso

 Único centro de referência em práticas integrativas de Goiás sofre com descaso

*Publicada em 03.12.2020 às 17h19

Apesar de ser a única unidade voltada para o atendimento à saúde da população por meio de práticas integrativas em Goiás, o Centro de Referência Estadual em Medicina Integrativa e Complementar (CREMIC) vem enfrentando diversos problemas, principalmente devido à falta de profissionais e de investimentos.

Conhecido desde a época em que era chamado de Hospital de Medicina Alternativa (HMA), o CREMIC conquistou relevância nacional e internacionalmente na aplicação de práticas Integrativas e complementares em Saúde Pública. A unidade foi pioneira no Brasil ao sediar o I Curso de Fitoterapia Ayurvédica.

No entanto, servidores alegam que a unidade está abandonada pelo Estado e temem até mesmo, o seu fechamento. O Sindsaúde-GO tem acompanhado de perto a situação e, de acordo com a vice-presidente Néia Vieira, “o CREMIC tem enfrentado problemas de toda ordem, que vão desde a falta de profissionais, servidores colocados à disposição sem reposição, assédio moral, falta de investimentos e até a perda de projetos importantes“.

Praticas Integrativas e Complementares
Localizado no Jardim Santo Antônio em Goiânia e gerido pela Secretaria de Estado da Saúde, o Centro de Referência cumpre um importante papel ao disponibilizar atendimento alternativo e complementar à medicina convencional. Para isso, conta com equipes multiprofissionais constituídas por médicos (fitoterapia, homeopatia, acupuntura), enfermeiros (generalistas, acupunturistas, auriculoterapeutas), psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, entre outros.

Sede do CREMIC (antigo Hospital de Medicina Alternativa)

Abandono?
Trabalhadores alegam que a unidade não tem recebido o apoio necessário da gestão estadual. O fato é que o atendimento à população está ameaçado pela falta de profissionais e investimentos na infraestrutura.

Nos anos de 2018 e 2019, por exemplo, o CREMIC chegou a ter 18 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), da lista de 29, reconhecidas pelo Ministério da Saúde, além de atendimentos de rotina disponibilizados à população por meio de grupos terapêuticos. Porém, varias atividades passaram a ficar comprometidas nos últimos meses.

Exclusão de projetos
Outro grave problema são denúncias de que a atual gestão, por falta de resposta em tempo oportuno, perdeu projetos importantes. Servidores lembram que, recentemente, o CREMIC foi excluído do posto de Centro Coordenador e Participante do Projeto de Pesquisa Multicêntrico Nacional em Epigenética, Estilo de Vida e PICS (Avaliação de Práticas Integrativas na Qualidade de Vida, nos Fatores Biopsicossociais e nas Modificações Epigenéticas em Indivíduos com Dor Crônica e/ou Depressão).

Na Carta de Exclusão, a coordenadora Geral do Instituto Brasileiro de Medicina e Saúde Integrativa em Oncologia (ISIONCO) com sede no Rio de Janeiro e pesquisadora responsável pelo projeto, Dra. Carla Rodrigues, justificou que a decisão foi motivada pela “ausência de posicionamento formal da atual Diretora Geral do CREMIC, solicitado ́por várias vezes, inclusive com chamada de vídeo, quanto ao interesse na continuidade da participação dessa unidade como Centro Coordenador e/ou como Centro Participador”.

Funcionários lamentaram a exclusão uma vez que, segundo eles, o projeto de pesquisa é inovador e possui relevância internacional, uma vez que pode resultar em economia expressiva dos gastos em saúde nos sistemas de saúde públicos e privados mundiais.

Apoio
A vice-presidente explica que, além da necessidade de melhorar a relação trabalhista na unidade, outra preocupação do Sindsaúde é com a possibilidade de fechamento. “É um hospital com características únicas no Estado por oferecer atendimento aos usuários do SUS com base na medicina chinesa e Ayurvédica”, salienta Neia Vieira.

Néia lembra que o Sindicato, após se reunir com os trabalhadores tem tentado auxiliar profissionais e usuários pautando a questão no Conselho Estadual de Saúde e tentando discutir o assunto com o secretário de Saúde, mas que o engajamento da população na defesa do CREMIC é fundamental.

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