A situação de calamidade nas unidades de saúde mental em Goiânia

A situação de calamidade nas unidades de saúde mental em Goiânia

Publicado em 29 de junho de 2020, às 12h05

Na sexta-feira (26), os diretores do Sindsaúde estiveram nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) Novo Mundo e Girassol em Goiânia, para conversar e verificar as condições de trabalho dos profissionais de saúde destas duas importantes unidades especializadas em saúde mental.

Os trabalhador@s destas unidades estão preocupados com os tratamentos dos pacientes após o corte de 36 medicamentos da Relação Municipal de Medicamentos (REMUNE), com o aumento do número de contaminados pela Covid-19, com a falta de qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual e Coletivos (EPI e EPC) e a ausência de desinfecção terminal destas unidades (faltam produtos de higiene, de limpeza e termômetros ), faltam farmácias e farmacêuticos e total ausência de políticas de contenção do novo vírus. Outra preocupação recorrente em todos os Caps é a falta de autonomia (cada unidade tem demandas diferentes) e o corte de todos os canais de comunicação por parte da Secretaria Estadual de Saúde. O desmonte da saúde mental para tratamento e reinserção social de pessoas com transtorno mental grave e persistente está posto e a ausência de diálogo é o pontapé para repensar a desestruturação dos serviços de saúde mental em Goiânia. Há um menosprezo com relação à prevenção e ao tratamento multidisciplinar notório na má conservação das edificações. O valor estava na caixa de remédio. E agora nem o medicamento existe mais ou foi substituído sem prévio diálogo com os Caps.

“É preciso refletir quais são as condições de trabalho que os profissionais de saúde estão enfrentando nesta pandemia e o que vinha acontecendo antes dela. Refletir para exercer esse papel de produzir saúde e cidadania. E o Sindsaúde está presente para unir forças e garantir essa luta pela defesa do SUS, dos profissionais de saúde e pelo direito de todos à saúde pública de qualidade e de vida,” enfatizou Luzinéia Vieira dos Santos, Vice-presidenta do Sindsaúde-GO.     

A taxa de contaminação e letalidade da covid-19 são de fato extremamente preocupantes e deixam claro o quanto é necessário todos lutarmos e defendermos o Sistema Único de Saúde (SUS) e o direito que todos temos à saúde pública de qualidade e a vida. As reformas do Governo Federal (EC 95) alinhado ao estadual e municipal vão retirando gradativamente recursos do SUS, desativando programas de saúde da família e saúde mental.

Segundo o Consórcio de Veículos de Imprensa o país tem 1.345.470 casos confirmados de Covid-19 e 57.659 mortes. O mundo já tem mais de 10 milhões de infectados e 500 mil mortos. O Brasil responde por 11% das mortes totais no planeta. Os números e a cobertura maciça dos veículos de comunicação dão à população uma visão de um vírus apocalíptico e desta forma parece que nenhuma outra doença acomete as populações. São inúmeras doenças epidêmicas com potencial de mortalidade ainda maior do que o coronavírus (dengue, sarampo, turbeculose, Aids) e os transtornos mentais, que no último ano vitimou 800 mil pessoas no mundo, segundo Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sindsaúde

Sempre Juntos: A Saúde Luta e Resiste

 

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